G1 > Edição Rio de Janeiro – NOTÍCIAS – Há ao menos 200 soterrados no Morro do Bumba, diz subsecretário de Defesa Civil.

 

Choramos nossas tragédias, nossas glórias, todos os momentos efusivos desta pátria mãe que ora esquece ora lembra os teus sofridos filhos. O Rio de janeiro em ano de eleições desce o morro para as urnas? Desta vez não! Desce para chorar, clamar as vidas que lá ficaram. Quando não é um helicóptero, ou o temido Caveirão, sobe o morro os destemidos homens do Corpo de Bombeiros recrutados sempre nos momentos mais difíceis, vão como sempre, tentar o impossível, salvar as famílias que não são deles, mas que adotam sempre que necessário. É de causar vergonha o que dizem neste momento: uns dão de “João sem braço” outros de “Luís sem dedo”. Chegam a culpar as pessoas por morarem em aterros ou morros, onde tudo ou quase tudo faltam-lhes.

Apontam os antigos prefeitos e governadores, sem citar os nomes, óbvio, visto que são os “mesmos” como se os cálculos deles por eles resultem em tempestades com 200 mortes, centenas de desabrigados e muitos outros números vis. Números estes que engordarão as mais diversas estatísticas preocupantes: dá-se – mendigos, miseráveis, usuários de drogas e recrutas do tráfico.

Talvez tudo isso seja levar as conseqüências muito adiante, mas faço o contrário levo tudo para muito antes destas calamidades públicas, nada disso tem haver com a Copa ou Olimpíadas ou mesmo o Pré-sal, que ainda nem de fato existe. No entanto lá na frente algum, meio escuso de comunicação, revolverá os seus arquivos e mostrará que aquele famoso marginal que seqüestrou, matou e etc, causando terror, foi na verdade um daqueles que derramavam lágrimas por sua família nunca assistida e então tragicamente conhecida por todo Brasil e Mundo. Farão disto um filme para que novas lágrimas rolem de comoção pela arte brasileira que de desde Glauber faz da miséria espetáculo e assim sempre nos curvaremos à imensa criatividade e capacidade que temos, em meio a todo desamparo político, peitar o destino e viver sob o sol quando cessa a chuva.

 

 

Cesz de Sousa